"Morremos como mortais que somos, e vivemos como se fôramos imortais." Sêneca
Padecer de uma doença terminal ou ter uma doença degenerativa na velhice, é muito triste e necessita de uma atenção especial. Vejo constantemente pacientes em UTIs com câncer em fase terminal ou idosos cujo limite da vida é quase imperceptível, padecerem artificialmente ligados a respiradores, máquina de hemodiálise, sondas enterais para alimentação, cateteres venosos, sonda na bexiga e punções venosas para os mais diversos medicamentos e punções numerosas para retirada de sangue para exames.
Todos sabem que estes pacientes vão morrer no espaço de dois dias a dois meses. Inevitavelmente.
Nada lhes resta senão sofrerem distantes dos seus entes queridos, do seu quarto, da sua janela, sem ouvir os cantos dos pássaros. Sós, quase sós, numa unidade de terapia intensiva, fria, quase gelada, para manter em funcionamento os sofisticados e caríssimos equipamentos.
Os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, e técnicos de enfermagem, não têm tempo para conversas, para acariciá-los e , principalmente, para fortalecê-los nos momentos mais difíceis da sua vida, a eminência da morte.
As visitas têm que ser rápidas, silenciosas e limitadas a poucos parentes ou amigos. As crianças e os animais ficam de fora. É proibido. O controle é quase total. A solidão, o frio e a dor estão presentes o tempo todo.
O custo para bancar esses absurdos varia de três a seis mil reais por dia. Um paciente terminal (sem chance nenhuma de sobrevivência) que passe em média 14 dias resultará num custo de 42.000,00 a 86.000,00 reais. Não estão aí computados a dor, a solidão e a ignorância. Estes não têm preço em reais.
A Bahia tem um déficit de mais de 1.800 leitos de UTI públicas, resultado do descaso, da corrupção e irresponsabilidade da era ACM, Paulo Souto e Cesar Borges. Em relação à iniciativa privada o déficit, também é considerável.
Em Feira de Santana, cidade onde há o maior entroncamento rodoviário do nordeste, com mais de 600 mil habitantes, beira à indecência, tanto na iniciativa pública como na privada. Há menos de dois anos, pelo sistema público, só tinha 10 leitos de UTI e não contava com neurocirurgia. Um caos absurdo, portanto, irracional e imoral. Na inicitaiva privada, atualmente, conta com apenas 26 leitos.
Se houvesse uma conscientização sobre as indicações indevidas de pacientes terminais em UTIs, esse grave problema seria amenizado.
O que fazer então? A construção de hospitais especializados em pacientes terminais seria de grande valia e traria outros beneficíos.
Nesses hospitais o mais importante seria dar a estes pacientes uma atenção especial, onde a humanização seria o diferencial e profissionais especializados em tanatologia estariam dando treinamento constante à equipe e sendo o elo entre os profissionais, a família e o paciente terminal.
Todo cidadão tem direito à vida com dignidade assim como, de morrer com respeito e dignidade.
Eduardo Leite
mailto:gastroajuda@hotmail.com
www.twitter.com/gastroajuda
Parabéns Dr.Eduardo pelo excelente texto.Sou psicóloga hospitalar e trabalho numa UTI na tentativa de fazê-la mais "humana".
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A medicina com toda a sua tecnologia esqueceu de colocar limites no que diz respeito aos investimentos desnecessários naqueles individuos sem vida biológicamente ativa, fazendo da distanásia a sua prática diária.
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Atuo junto aos familiares, conscientizando que o ciclo da vida "se fecha" e que nessa fase de finitude o mais importante é proporcionar o alivio da dor e sofrimento( com terapias adequadas) e oferecendo amor, carinho e presença .
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Infelizmente a equipe de saúde não ajuda, seja por questões pessoais em relação a terminalidade , seja por ganância e dinheiro.Elas ignoram completamente a prática dos Cuidados paliativos,que proporciona ao individuo qualidade de vida e de morte!Um grande abraço,
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Roberta Cristina.
Resposta.
Olá, Psc.Roberta.
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Obdecento certas regras da edição de um texto, sempre deixamos de acrescentar algumas considerações importantes.Seu comentário, o qual agradeço, muito pertinente e lúcido me lembrou de um fato de suma importância a respeito desses hospiatis ou centros de pacientes terminais e crônico.
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Estes serviços estão cada vez mais comuns nos grandes centros ditos civilizados. Estudos da neurociência e da psicologia têm detectado que muitos desses pacientes depois de um tratamento humanizado e com acompanhamento psicológico passaram a ter uma melhor aceitação da sua doença e que alguns desses pacientes passaram a viver mais em melhores condições e há relatos de desaparecimento total de tumores malignos ditos resistentes aos diversos tratamentos oncológicos desde cirúrgicos, radioterápicos e quimioterápicos.
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Cito um grande centro especializado em pacientes terminais na Califórnia, comandado pelo ex-radioterapeuta Carl Simonton.
Nunca devemos deixar de convocar para a equipe de cura o principal elemento, que é o próprio paciente. Orientanduo-o e dando-lhe ensinamentos de como desenvolver as suas próprias potencialidades de cura, como técnicas de visualização de imagens através da meditação.
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E, com certeza, os psicólogos saõ os profissionais que mais estão preparados para essa grande participação que é conduzir os enfemos ao seu próprio conhecimento interior.Mais uma vez agradeço o seu lúcido e gentil comentário.um forte abraço,
Eduardo Leite.
O processo de cura depende do autoconhecimento do indivíduo a ser curado.
``O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.´´





